Sonhei pela primeira vez com a Manuela. Sonhei com ela mesmo, vendo seu rosto, a vendo inteira. Seus cabelos eram da cor dos meus quando pequena, cor de caramelo. Lisinhos,fininhos e curtos.Ela era muito risonha, uma menina alegre. Vestia rosa claro e mamava no meu seio. Cantarolava pra ela: Se essa rua, se essa rua, fosse minha...
E depois a música do Chico: Agora eu era herói e meu cavalo só falava inglês...E num surrealismo mágico, que só pertence aos sonhos, era como se ela cantasse comigo essa música. Cantávamos juntas e depois ela, bebê e de rosa, dormia.
Foi lindo.
07 maio, 2010
05 maio, 2010
Ofício
Lembro me sempre da última noite junto aos colegas de escola em Londres. Que a cada abraço carinhoso, além de um adeus recebi vários estimulos elogiosos ao meu trabalho de atriz, todos eles muito empolgantes. Vários mesmo, praticamente todos que me abraçaram tinha algo elogioso a dizer sobre meu trabalho de atriz. Isso dá confiança, né? Mas uma pessoa me marcou, foi o Steve. Ele me pegou pelo braço e disse: você tem que ser vista!
Hoje, após Londres, estou aqui escrevendo um projeto, para quem sabe ser aprovado e quem sabe ter a verba para o espetáculo. Essa ausência de rotina e salário, o produtor que ligou pediu foto e desapareceu, a produtora que mandou email pediu material em vídeo e sumiu, os agentes que sequer leram meu email. Ligo a televisão e vejo uma maioria de trabalhos mediocres, a desligo. E volto aos meus projetos, lentos, mas amados.
A frase do Steve é o motor. O motor dessa profissão tão incerta que tanta gente vê tanto como uma não profissão. "Eu tenho que ser vista". E mais do que isso tenho que fazer e dizer. Essa é minha vocação. Então, a frase besta do colega é a luz lá no fim, desse ócio estranho e por ora estagnado e mais uma vez traz as angústias de um dia ter feito a escolha: sou atriz; e agora?
Hoje, após Londres, estou aqui escrevendo um projeto, para quem sabe ser aprovado e quem sabe ter a verba para o espetáculo. Essa ausência de rotina e salário, o produtor que ligou pediu foto e desapareceu, a produtora que mandou email pediu material em vídeo e sumiu, os agentes que sequer leram meu email. Ligo a televisão e vejo uma maioria de trabalhos mediocres, a desligo. E volto aos meus projetos, lentos, mas amados.
A frase do Steve é o motor. O motor dessa profissão tão incerta que tanta gente vê tanto como uma não profissão. "Eu tenho que ser vista". E mais do que isso tenho que fazer e dizer. Essa é minha vocação. Então, a frase besta do colega é a luz lá no fim, desse ócio estranho e por ora estagnado e mais uma vez traz as angústias de um dia ter feito a escolha: sou atriz; e agora?
27 abril, 2010
Coincidência???
Em Outubro de 2009 sonhei que escrevia em várias folhas de papel a data: 31 de Agosto. Acordei encucada, afinal como que se sonha com algo tão preciso como uma data, com direito a dia e mês? Pesquisei coisas na internet e nada achei.
Dois meses e pouco depois engravidei e ao me deparar com o calendário lá estava: fecho meu 9 mês precisamente no dia: 31 de Agosto. De 2010. Nem um dia antes. Nem um dia depois. Dia 31 de Agosto é 40 semana da minha gestação. Pode ser que venha antes ou depois mas de todo modo é ali, naquele dia que se fecha o ciclo completo de formação do bebê dentro de mim.
Depois disso, antes de saber o sexo do bebê sonhei que falava com uma amiga: Minha filha é Manuela. O bonito nome até então não era cogitado por mim e Leo. Mas depois do sonho percebemos o quão bonito era e o colocamos na lista, junto a outras possibilidades de nome de mulher. Fizemos um sorteio. Saiu Manuela. Não contestamos. Não poderíamos. E afinal de contas Manuela é lindo. É música, é doce.
A gravidez seguiu e comecei a ganhar casaco cor de rosa de uma amiga, macacão de borboleta de outra e ninguém havia dito que era menina ainda. Ou melhor, nenhum médico ou exame. Fora isso todo mundo só dizia isso. É menina, é menina. No final já até me divertia, perguntando até pra desconhecidos: o que você acha que é?Só pra ouvir a mesma resposta: menina! A prima do Leo sonhou que era menina, o Diego meu amigo sonhou que era menina, e minha sogra, sua avó, um dia antes do ultrassom que desvendaria esse "mistério" também teve esse sonho.
Não preciso dizer né. É menina, é Manuela e nascerá não sei quando, estou com 5 meses, mas fecha o nono mês no dia 31 de Agosto.
Deus segura essa menina porque ela avisou que vinha, que era mulher e ainda escolheu seu nome!!! Deve ser da pavirada essa minha filhota!
Dois meses e pouco depois engravidei e ao me deparar com o calendário lá estava: fecho meu 9 mês precisamente no dia: 31 de Agosto. De 2010. Nem um dia antes. Nem um dia depois. Dia 31 de Agosto é 40 semana da minha gestação. Pode ser que venha antes ou depois mas de todo modo é ali, naquele dia que se fecha o ciclo completo de formação do bebê dentro de mim.
Depois disso, antes de saber o sexo do bebê sonhei que falava com uma amiga: Minha filha é Manuela. O bonito nome até então não era cogitado por mim e Leo. Mas depois do sonho percebemos o quão bonito era e o colocamos na lista, junto a outras possibilidades de nome de mulher. Fizemos um sorteio. Saiu Manuela. Não contestamos. Não poderíamos. E afinal de contas Manuela é lindo. É música, é doce.
A gravidez seguiu e comecei a ganhar casaco cor de rosa de uma amiga, macacão de borboleta de outra e ninguém havia dito que era menina ainda. Ou melhor, nenhum médico ou exame. Fora isso todo mundo só dizia isso. É menina, é menina. No final já até me divertia, perguntando até pra desconhecidos: o que você acha que é?Só pra ouvir a mesma resposta: menina! A prima do Leo sonhou que era menina, o Diego meu amigo sonhou que era menina, e minha sogra, sua avó, um dia antes do ultrassom que desvendaria esse "mistério" também teve esse sonho.
Não preciso dizer né. É menina, é Manuela e nascerá não sei quando, estou com 5 meses, mas fecha o nono mês no dia 31 de Agosto.
Deus segura essa menina porque ela avisou que vinha, que era mulher e ainda escolheu seu nome!!! Deve ser da pavirada essa minha filhota!
09 abril, 2010
Manuela, fico feliz
Há dois dias descobri que você é uma menina. E já me deleito com os aromas de sua feminilidade que virá.
Fico feliz filha de saber que talvez você se identifique com a poesia de Clarice Lispector, que se deleite com paixões platônicas que irão lhe prostar frente ao nada navegando em um mundo de sonhos de amores perfeitos. Que irá pensar em colorir as unhas, pintar os lábios, em ser sedutora, em ser protetora.
Fico feliz de você ter o pai que tem e saber que crescerá não só cercada de amor mas também de muita sensibilidade, pois você vem de uma mãe tão sensível e transbordante de emoções que chega a ser até demais, mas mais que isso você vem de um pai delicado, doce, gentil, sutil, e que nos entende muito meu amor. Ele sabe do nosso universo e saberá sempre respeitar esse mundo seu, tão feminino e complexo, como só nós mulheres sabemos ser.
Fico também feliz de você chegar em um momento em que a mulher é dona de suas decisões no mundo, é independente, e se utiliza daquela dita "fragilidade" apenas com um charme para adocicar sua enorme força. Me tranquiliza saber que você terá espaço nesse mundo para se posicionar e ser mulher o quanto quiser. Agradeçamos à nossas avós, aos que antes de nós começaram a abrir esse caminho.
Seu nome veio de uma intuição, veio de sonho e sorteio e não sei se foi escolhido por você, mas de verdade só foi simplesmente aceito por nós. E gostamos porque é doce e é melódico. Ontem seu pai me pegou pelo braço e me mostrou uma linda menina de uns seis anos e me disse: acho que a Manuela vai ter aquele cabelo.
Já começamos a te imaginar. Sem contudo querer definir quem você será, para isso queremos a doce surpresa dos dias, que você se descubra e se revele a nós a cada dia da sua existência e nós estaremos aqui, para te aceitar da forma única que você virá, te respeitar e muito, muito te amar.
Ah minha Manuela, nossa Manuela, fico muito feliz com a notícia de que és. E fico feliz com a espera de sua chegada.Se desenvolva com saúde e perfeição e daqui uns meses te envolveremos ainda mais com nosso amor e alegria.
Fico feliz filha de saber que talvez você se identifique com a poesia de Clarice Lispector, que se deleite com paixões platônicas que irão lhe prostar frente ao nada navegando em um mundo de sonhos de amores perfeitos. Que irá pensar em colorir as unhas, pintar os lábios, em ser sedutora, em ser protetora.
Fico feliz de você ter o pai que tem e saber que crescerá não só cercada de amor mas também de muita sensibilidade, pois você vem de uma mãe tão sensível e transbordante de emoções que chega a ser até demais, mas mais que isso você vem de um pai delicado, doce, gentil, sutil, e que nos entende muito meu amor. Ele sabe do nosso universo e saberá sempre respeitar esse mundo seu, tão feminino e complexo, como só nós mulheres sabemos ser.
Fico também feliz de você chegar em um momento em que a mulher é dona de suas decisões no mundo, é independente, e se utiliza daquela dita "fragilidade" apenas com um charme para adocicar sua enorme força. Me tranquiliza saber que você terá espaço nesse mundo para se posicionar e ser mulher o quanto quiser. Agradeçamos à nossas avós, aos que antes de nós começaram a abrir esse caminho.
Seu nome veio de uma intuição, veio de sonho e sorteio e não sei se foi escolhido por você, mas de verdade só foi simplesmente aceito por nós. E gostamos porque é doce e é melódico. Ontem seu pai me pegou pelo braço e me mostrou uma linda menina de uns seis anos e me disse: acho que a Manuela vai ter aquele cabelo.
Já começamos a te imaginar. Sem contudo querer definir quem você será, para isso queremos a doce surpresa dos dias, que você se descubra e se revele a nós a cada dia da sua existência e nós estaremos aqui, para te aceitar da forma única que você virá, te respeitar e muito, muito te amar.
Ah minha Manuela, nossa Manuela, fico muito feliz com a notícia de que és. E fico feliz com a espera de sua chegada.Se desenvolva com saúde e perfeição e daqui uns meses te envolveremos ainda mais com nosso amor e alegria.
02 abril, 2010
Bach é tão melancólico. E ainda assim me torturo. Repetindo seus sons no meu computador nessa manhã de uma sexta feira da paixão cinza e fresca. Bach me fala de saudade, de dor, de amor e esperança e a ele recorro sempre que quero sentir algo que não tem nome. Forjo a melancolia, deixo os olhos arderem e então vem a minha infância, minha tia, minha casa na Serra de onde ela era vizinha. Procuro Bach para ser melancólica em uma tortura saborosa de sentidos, quando já se entende que a vida necessita da melancolia como tempero suave, ardido e levemente doce. Nos leva a nós mesmos.
30 março, 2010
27 março, 2010
O vento. Minha tia. A morte.
A fragilidade da vida é algo espantoso. Somos seres leves fingindo certo peso, leves pesos a serem carregados pelo vento. Há quem chame Deus, há quem chame destino, eu chamaria vida. Vida que só é vida pela morte, vida que só é vida porque é um instante, um instante que insistimos em fingir ser eterno. Mas a vida é frágil e é instante e é sim, como uma leve pena a ser carregada pelo vento. Presos na nossa impotência de controlar o rumo desse vento deveríamos apenas então abrir os braços e nos jogarmos. Mas inventamos pensar, e inventamos não aceitar que é um instante e muito menos que temos apenas o peso de uma pena frente à potência do universo. Por isso dói tanto a morte. E dói também a morte porque ela vem trazer a tona a idéia de fragilidade da vida, e quando a morte de alguém querido acontece, subitamente um pavor nos toma conta. Pavor de começar a perder todos.
Minha tia morreu hoje. Minha tia Tita, irmã do meu pai. Mãe dos meu primos amados, e como meu avô me disse ao telefone: sua filhinha amada. Medo de perder meu avô na sua dor. Medo de quais rumos o vento vai tomar a carregar nossos leves corpos para esse lugar estranho que é o amanhã. Medo de perder tudo. Consciência da brevidade.
Da minha tia guardo a alegria de viver, sua força, sua luta, seus palavrões, seu amor enorme, por seus filhos, seu pai, seu irmão, seu futuro neto já a caminho, o meu filho dentro da minha barriga, os programas de férias que sempre tinham algo que dava errado, seus comentários deliciosos, seu senso de humor frente às situações mais difíceis e a certeza de que ela sabia desse nosso peso leve. Lembrarei me dela com os braços esticados e o corpo solto à esse vento que nos leva ao desconhecido.
Te amo Tita. E morrerei de saudade.
Minha tia morreu hoje. Minha tia Tita, irmã do meu pai. Mãe dos meu primos amados, e como meu avô me disse ao telefone: sua filhinha amada. Medo de perder meu avô na sua dor. Medo de quais rumos o vento vai tomar a carregar nossos leves corpos para esse lugar estranho que é o amanhã. Medo de perder tudo. Consciência da brevidade.
Da minha tia guardo a alegria de viver, sua força, sua luta, seus palavrões, seu amor enorme, por seus filhos, seu pai, seu irmão, seu futuro neto já a caminho, o meu filho dentro da minha barriga, os programas de férias que sempre tinham algo que dava errado, seus comentários deliciosos, seu senso de humor frente às situações mais difíceis e a certeza de que ela sabia desse nosso peso leve. Lembrarei me dela com os braços esticados e o corpo solto à esse vento que nos leva ao desconhecido.
Te amo Tita. E morrerei de saudade.
21 março, 2010
Circunferência
Um lugar no espaço. Um espaço todo meu. Sem precisão de largas extensões. Um lugar sem cor, que nem branco seja. Para que possa pintar de azul bem claro e do vermelho mais intenso. Colorindo com cores contraditórias, fervurantes, vibrantes e mortas. Silencioso. Profundamente silencioso. O silêncio que vem depois da cacofonia. Um eco eterno de pausa silenciosa. Um espaço fechado na circunferência mas com dimensão infinita para o céu. Meu espaço.Ai preciso dessa circunferência. Preciso da nulidade da cor para derramar tanta tinta que ferve no meu sangue pra que evapore por cima do não teto e alcance o infinito. Meu espaço eterno. Quero meu espaço. E quero também o eco do som que me traz o silêncio.
26 fevereiro, 2010
viagem no tempo
Porque tão nostálgica? Pra quê que meu corpo precisa reviver tudo ao ver uma simples imagem?
Aprendi com o tempo a cultivar a nostalgia, a aceita-la em seu sabor amargo e doce que nos traz a noção do tempo. De sua marca. De nossa jornada. Estou mais nostálgica que nunca e forjando a nostalgia muitas vezes, ou deixando que ela me invada, me inunde, me angustie e me deixe um leve sorriso no rosto ao me deixar. São pequenos regressos no tempo, com cheiros e velhas sensações. Londres, Rio, adolescência, infância.
Tudo refletido em pequenas paisagens ou as vezes até mesmo no olhar de um desconhecido no sinal de trânsito. Em pequenas coisas viajo por segundos no tempo, vou até onde posso descobrir que não sou mais a mesma, mas continuo a mesma, e com os braços esticados em um suspiro tento agarrar algo daquela lembrança que me faz o que sou agora, pedir que me deleite por alguns segundos mais, mas não dá. O corpo pede que siga em frente e para a frente se olhe. Aprendi a amar cada instante da vida que já vivi, a esticar os dedos agarrando a nostalgia e assim deixar que ela escorra por entre eles, deixando gostinho de continuar; o agora, antes que seja apenas um segundo de viagem no tempo que não posso mais agarrar, repleto de saudade. A saudade me faz. E é bom.
Aprendi com o tempo a cultivar a nostalgia, a aceita-la em seu sabor amargo e doce que nos traz a noção do tempo. De sua marca. De nossa jornada. Estou mais nostálgica que nunca e forjando a nostalgia muitas vezes, ou deixando que ela me invada, me inunde, me angustie e me deixe um leve sorriso no rosto ao me deixar. São pequenos regressos no tempo, com cheiros e velhas sensações. Londres, Rio, adolescência, infância.
Tudo refletido em pequenas paisagens ou as vezes até mesmo no olhar de um desconhecido no sinal de trânsito. Em pequenas coisas viajo por segundos no tempo, vou até onde posso descobrir que não sou mais a mesma, mas continuo a mesma, e com os braços esticados em um suspiro tento agarrar algo daquela lembrança que me faz o que sou agora, pedir que me deleite por alguns segundos mais, mas não dá. O corpo pede que siga em frente e para a frente se olhe. Aprendi a amar cada instante da vida que já vivi, a esticar os dedos agarrando a nostalgia e assim deixar que ela escorra por entre eles, deixando gostinho de continuar; o agora, antes que seja apenas um segundo de viagem no tempo que não posso mais agarrar, repleto de saudade. A saudade me faz. E é bom.
31 janeiro, 2010
o eterno
Hoje quero inventar uma verdade.
Um lugar azul profundo, silêncio. Onde um casal apaixonado dança abraçado, lentamente e para sempre, matando uma saudade enorme e se amando sem palavras.
Que você Dalva querida esteja repleta de azul e de Iraci e de amor.
Um lugar azul profundo, silêncio. Onde um casal apaixonado dança abraçado, lentamente e para sempre, matando uma saudade enorme e se amando sem palavras.
Que você Dalva querida esteja repleta de azul e de Iraci e de amor.
28 janeiro, 2010
E fomos morar em BH
"O correr da vida embrulha tudo,
a vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
O que Deus quer é ver a gente
aprendendo a ser capaz
de ficar alegre a mais,
no meio da alegria,
e inda mais alegre
ainda no meio da tristeza!
A vida inventa!
A gente principia as coisas,
no não saber por que,
e desde aí perde o poder de continuação
porque a vida é mutirão de todos,
por todos remexida e temperada.
O mais importante e bonito, do mundo, é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas,
mas que elas vão sempre mudando.
Afinam ou desafinam. Verdade maior.
Viver é muito perigoso; e não é não.
Nem sei explicar estas coisas.
Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor."
A gente quer passar um rio a nado, e passa:
mas vai dar na outra banda é um ponto muito mais em baixo,
bem diverso do em que primeiro se pensou.
Viver nem não é muito perigoso?
Dói sempre na gente, alguma vez,
todo amor achável,
que algum dia se desprezou...
Qualquer amor já é um pouquinho de saúde,
um descanso na loucura."
Guimarães Rosa- Grande Sertão Veredas
a vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
O que Deus quer é ver a gente
aprendendo a ser capaz
de ficar alegre a mais,
no meio da alegria,
e inda mais alegre
ainda no meio da tristeza!
A vida inventa!
A gente principia as coisas,
no não saber por que,
e desde aí perde o poder de continuação
porque a vida é mutirão de todos,
por todos remexida e temperada.
O mais importante e bonito, do mundo, é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas,
mas que elas vão sempre mudando.
Afinam ou desafinam. Verdade maior.
Viver é muito perigoso; e não é não.
Nem sei explicar estas coisas.
Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor."
A gente quer passar um rio a nado, e passa:
mas vai dar na outra banda é um ponto muito mais em baixo,
bem diverso do em que primeiro se pensou.
Viver nem não é muito perigoso?
Dói sempre na gente, alguma vez,
todo amor achável,
que algum dia se desprezou...
Qualquer amor já é um pouquinho de saúde,
um descanso na loucura."
Guimarães Rosa- Grande Sertão Veredas
21 janeiro, 2010
08 janeiro, 2010
Minha infância
Como me fascinava essa história. Ouvia por horas, sem parar, imaginando São Francisco.
01 janeiro, 2010
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