26 julho, 2011
veggie
Vivo sendo questionada sobre os motivos que me fizeram vegetariana. Achei isso aqui e gostei. Quem quiser saber eis 21 razões.
18 julho, 2011
Conforto
Essa postagem é um desabafo alegre. Outro dia encontrei com uma amiga querida grávida que me disse ter ficado incomodada com uma menina que grudou a mão em sua barriga e ela nada fez. Então eu lhe disse: Pois vai se acostumando a pedir licença com doçura porque o que mais fazemos é pedir licença com doçura quando os pequenos nascem. Pedimos licença para assumirmos a maternidade ao nosso modo, com nosso coração e espírito. Eu assumi a minha assim. Rigorosa com os horários da Manuela, estabelecendo rotina, limitando e dosando os estímulos, cuidando que seus primeiros seis meses de vida fossem calmos, seguros, cheios de amor.Isso resultou em uma mocinha doce e calma, serena, e não sou eu quem acho que isso foi o resultado da sua rotininha não, é científico, e sua médica confirma. Não dou carne, que tem agrotóxico,antibiótico, hormonio, adrenalina e mais um monte de coisa que a gente nem sabe o que significa. E por essa mesma razão dou muito legume e verdura orgânicos. Aprendi o que são as vacinas, de que são feitas, como são feitas (você sabe isso?), e o que aquela coiseira toda (aluminio e mais muuuita coisa!) pode dar de efeito colateral- além da febrinha e dor muscular que tanto parte nosso coração mas não é nem a "missa metade". Cada doença que essas vacinas cobrem, sua forma de contágio, se estão ou não erradicadas. Descobri que febre pode ser muito bom! E algumas doenças infantis não são monstros não! As infantis! Que fique claro! Já saí no meio de jantar, no começo da festa, e muitas vezes nem fui, tudo porque ela tinha horário (e ainda tem!), sono, fome. Dei peito livre demanda e exclusivo por seis meses, dou peito até hoje, mesmo ela comendo comidinhas. Nossa quanto tempo não durmo uma noite inteira, não vou ao cinema, ao teatro, etc, etc. Mas sem sofrimento, com prazer, o tempo não volta atrás e um dia ela será do mundo e eu terei tantas e tantas horas pra tudo isso. Tive que ouvir muito pitaco, lidar com o julgamento dos outros (muitas vezes de gente que nem filho tem!), apertar o botão do F e seguir em frente com o meu coração, que não é um só, mas ritimado com o do meu marido, amigo, amor e pai da Manuela. E cheguei aqui. Aos 10 meses de Manuela. Nós duas bordando com amor e cuidado cada passo desse camminhar, opa! Nós 3. Hoje ao sair da sua pediatra (antroposófica, pois também quisemos isso, uma médica que não a visse como mais uma nenem, mas como a Manuela) ouvi dela: Meus parabéns! E foi bom ouvir. A recompensa disso tudo é diária, constante, estão nos olhos da pequena, mas um parabéns foi para mim mais um conforto e força. Em meio ao cansaço ver que ela se desenvolve linda e saudável é maravilhoso. E sigamos! Essa é minha história, um pouco dela, apenas um pedaço bem resumido, linda como tantas outras de tantas mães. Mas essa é a minha, e aqui está, divida com o mundo. E a sua?
Com amor...
Com amor...
02 julho, 2011
9 meses
E lá se foram nove meses. Não mais aqueles internos, que cresce a barriga, de altos e baixos, de silêncio e um mistério cercado de tantos sentimentos. Agora lá se foram nove meses daqui de fora. De dedinhos que se abriam e fechavam sentindo o novo ar sem água minha Nunuzinha passou a esticar o corpo todo. Vai aonde quer com seu engatinhar ágil e se segura em qualquer coisa pra ficar em pé. De olhos abertos e atentos criou piscadinhas charmosas. De uma boquinha desenhadinha e rosada descobriu como mandar beijinhos, e bater palminhas, e cantarolar em seu dialeto suas musiquinhas. Do chorinho manhoso que pedia peito descobriu o som de mamãeeee, papaiii, ba pra bola, pé pra pé e acho que nãnã pra vovó. Do choro à atitude que arranca minha blusa em qualquer lugar e se joga de boca a mamar. Do aleitamento exclusivo de 6 meses para o mundo mágico dos cereais, frutas, legumes e verduras. Sucos, quinoa, aveia, arroz integral, trigo, milho, cenoura, abobora, brocolis...hummm quantos sabores! Outro dia seus dedinhos sentiam apenas o ar, que já era uma tremenda novidade e agora se deleita com novas texturas, que sente com as mãos, com a boca, com o nariz.
Nove meses se encerram. E eu, a mãe. Ah....eu jamais seria a mesma após esses 18 meses. Passei a querer fazer curso de fitoterapia, leio sobre comida, vacina, doenças, música, livros pra criança. Penso em saúde, em alegria, em peito. Em ser uma pessoa melhor. Pouco me importa um teste, me preocupa se acabou a laranja pro suco da pequena.
Outro dia Manuela dançava com as mãos para sentir o ar em silencio, agora já se mexe com o corpo todo sob qualquer ruído.
E eu? Eu já não sou mais eu, ou não sou aquele eu...sou algo mais, alguém a mais.
Nove meses se encerram. E eu, a mãe. Ah....eu jamais seria a mesma após esses 18 meses. Passei a querer fazer curso de fitoterapia, leio sobre comida, vacina, doenças, música, livros pra criança. Penso em saúde, em alegria, em peito. Em ser uma pessoa melhor. Pouco me importa um teste, me preocupa se acabou a laranja pro suco da pequena.
Outro dia Manuela dançava com as mãos para sentir o ar em silencio, agora já se mexe com o corpo todo sob qualquer ruído.
E eu? Eu já não sou mais eu, ou não sou aquele eu...sou algo mais, alguém a mais.
06 junho, 2011
Adeus.
O que será esse caminho tortuoso do universo que nos arma tantos encontros? Me presenteia com encontros de luz e alegria como o que tive com meu marido, com minhas amigas de infância, o que presenciei ao olhar dentro dos olhos da minha filha, os que tive em Londres. E em cada pedacinho desse caminho, e em cada pequeno ou grande encontro desses eu me faço. E a vida é breve. E ela vai acabar. E a gente não acredita. E hoje celebro o encontro que tive e tinha todos os dias ao ir pra escola durante meu primeiro ano de Inglaterra. Uma inglesa-indiana-africana que me ensinava inglês, me acalmava nas aulas de acrobacia, dava me aulas de solidariedade e generosidade no dia a dia e me disse algo que nunca mais esqueci: "quando como algo penso em cada um que participou da feitura desse prato, desde a plantação dos vegetais, e lhes agradeço por me possibilitarem o que comer". Didge meu amor, as sementes que você plantou em mim germinam a cada dia, dão flores, e me ensinam sobre gratidão; não agradeço só aos que me deram este prato de comida, mas a cada um que cruzou meu caminho e me alimentou de beleza e sabedoria, e me fez maior. Você foi uma guerreira, lutou contra esse cancêr por 3 anos quando lhe davam apenas 6 meses de vida. Você agora descansa. Mas te carrego na minha alma. E te agradeço. Que a imensidão do universo te acolha e que você flutue sobre nós, em silêncio e em paz. Obrigada por ter feito parte de mim e do meu caminho. E obrigada por ser o que é.
30 maio, 2011
O formulario
Recebi um formulário da escola que estudei em Londres pra preencher com o quê tenho trabalhado desde que me formei, e digo que além de dar aulas de teatro nada mais ali posso preencher, tenho trabalhado na confecção de um ser. Uma menina de olhos cinza vibrantes, bochechas fartas, sede de vida. Eu nunca me acharia mais em nenhum palco, sob nenhuma circunstância que aqui mesmo,com ela ao meu seio. Depois ela vai crescer e é lá fora que vou buscar. Mas Manuela já me deu a resposta de que, por mais bem sucedido que sejam meus feitos, lá fora nunca será, o que é a maior verdade da vida dorme ao meu lado,é pedaço de mim, e aqui está.
10 março, 2011
Dança da solidão
Acho que todos os que leem o que escrevo podem estar um pouco saturados do quanto tenho dito sobre maternidade. Mas é que desde que me tornei mãe fiz um mergulho profundo na vida. Como se mergulhasse a cada dia um pouco mais fundo em mim mesma e lá do fundo visse o mundo refletido na superfície turva da água. Me vejo como velha em um futuro próximo e eu, que sempre disse não temer a velhice, sinto certo temor. Vejo a minha filha dar saltos de desenvolvimento e vida e isso me mostra e revela, de uma maneira intensa, a brevidade dos instantes e a rapidez que é ser o que somos. Os minutos e segundos giram apressadamente como cronômetro disparado e ao mesmo tempo o tempo se dilata em silêncio a cada passo, a cada descoberta. Depois que virei mulher casada e com filho os amigos se afastaram. Poderia se dizer que afastei me também. Sim, o fiz, de alguma forma o fiz. Seis meses devota à criação, amamentação e ao cuidado delicado e profundo com esse ser que coloquei no mundo. Não me tiro a responsabilidade não me privo esse prazer e, tomara, deixarei uma sementinha transformadora, criativa e corajosa nesse mundo, fruto dessa germinação tranquila que está sendo esse tempo tomado só pra nós. Me afastei mas os amigos também se afastaram. Quase não ligam, não vêm aqui, não têm muita curiosidade em ver o quanto Manuela está linda e esperta,estão bem ocupados com suas vidas atarefadas com trabalho, academia, namorado, etc. No Batismo de Manuela, dia importante, estiveram presentes todos os amigos de infância do Leo, lindo. Alguns amigos especiais meus, mais recentes na minha vida, me presentearam com sua presença, e um certo tanto de especiais bem antigos na minha história não apareceram. Guardei a lembrancinha e o bolinho para a visita logo depois, o bolinho teve que ir pro lixo, velho ficou. Isso me levou a sonhos em que estou só em um restaurante, peço o prato, espero alguém, e ninguém aparece. Foram seis meses da vida da Manuela, uma eternidade para ela que passou de nenenzinha a um bebê que come frutinhas, senta, balbucia novos sons e se move rumo ao que quer em rastejadas rápidas e bonitas. E seis meses de solidão para mim, que pude então viajar ao fundo da minha alma, mergulhar nessa água, ver o mundo lá de dentro e, quando finalmente coloquei a cabeça para respirar lá estavam na beira: Leo com Manu no colo, minha mãe e meu pai de um lado, meus sogros de outro, e atrás toda uma legião de irmãos de sangue e cunhados. Eles estendem o braço com um sorriso largo e sei que é a eles que tenho pro resto da vida.
Por isso darei um irmão a Manuela (daqui a pouco) e espero do fundo do meu coração que ela encontre um amor bonito como o meu e do pai dela. Isso é o que levamos. E aqui fechamos seis meses, de germinação cuidadosa e amorosa, minha pequena me teve por inteiro e sempre me terá.Meus braços se esquentam pras próximas braçadas, voltar a trabalhar, quem sabe ensaiar. Mas o mergulho da solidão, em que me acompanharam os amores mais lindos da minha vida,esse fica pra sempre, como ficará pra Manu sua primeira degustação doce de um mamão, nossas noites coladas e acalentadas, nossas tardes caladas e musicadas e todo esse amor gigantesco que paira sobre o ar da minha casa.
Por isso darei um irmão a Manuela (daqui a pouco) e espero do fundo do meu coração que ela encontre um amor bonito como o meu e do pai dela. Isso é o que levamos. E aqui fechamos seis meses, de germinação cuidadosa e amorosa, minha pequena me teve por inteiro e sempre me terá.Meus braços se esquentam pras próximas braçadas, voltar a trabalhar, quem sabe ensaiar. Mas o mergulho da solidão, em que me acompanharam os amores mais lindos da minha vida,esse fica pra sempre, como ficará pra Manu sua primeira degustação doce de um mamão, nossas noites coladas e acalentadas, nossas tardes caladas e musicadas e todo esse amor gigantesco que paira sobre o ar da minha casa.
30 dezembro, 2010
2010
2010 foi o ano que fui ao centro da Terra e da terra. Ao mais profundo de mim mesma, que realizei o desejo, antes pensado na escola de teatro em Londres, de descer à raiz da árvore e subi-la devorando-a em sua escência. Foi o ano em que questionei Deus, busquei a mim, e não encontrei respostas, mas a certeza da busca constante por paz. Ano que se fez em mim a vida, que de mim brotou novo ser, Manuela. Ano em que me assumi como mulher e neguei analgésicos para a vida, para meu corpo, para meu parto e para o parto de Manuela. Me rasguei de dentro pra fora e não de fora pra dentro e me vi eterna em dois pequenos olhos rasgados e azuis. Azuis por mistério genético e da vida, brilhantes como sol e doces como a chuva que caiu no dia de seu nascimento.
Esse ano deixei pra trás sonhos individuais, planos profissionais, vi meus amigos colherem lindos frutos após os estudos em Londres e eu, como disse minha mãe, fiz a minha mais perfeita obra de arte.
Para 2011 desejo saltar do alto dessa árvore que subi e engoli ao mesmo tempo, deixar meu corpo no ar, sentir deus nas brisas suaves, no alento do meu marido e nos olhos da minha filha. Filha que me trouxe o budismo, a antroposofia, e eu mesma.
2010: O ano em que fui até a raiz de mim mesma e subi aos céus.
Obrigada Leo, mãe, pai, irmãos, amigos, Daphne, Mariana, sogros, cunhados, todos aqueles que me cercaram de amor, e...
minha linda luz Manuela.
Esse ano deixei pra trás sonhos individuais, planos profissionais, vi meus amigos colherem lindos frutos após os estudos em Londres e eu, como disse minha mãe, fiz a minha mais perfeita obra de arte.
Para 2011 desejo saltar do alto dessa árvore que subi e engoli ao mesmo tempo, deixar meu corpo no ar, sentir deus nas brisas suaves, no alento do meu marido e nos olhos da minha filha. Filha que me trouxe o budismo, a antroposofia, e eu mesma.
2010: O ano em que fui até a raiz de mim mesma e subi aos céus.
Obrigada Leo, mãe, pai, irmãos, amigos, Daphne, Mariana, sogros, cunhados, todos aqueles que me cercaram de amor, e...
minha linda luz Manuela.
01 dezembro, 2010
o avesso
Quando parimos um ser o nosso corpo vira do avesso, não só se abre mas se contorce e se dobra, mostramos nossas "feiuras", nosso sexo, nosso odor, gritamos muito, mas não de dor, e sim de paixão, porque algo lá embaixo, queima, arde, pulsa, e algo na boca do estômago congela. A barriga se aperta, e seu filho, esse ser que se formou e se fez ser humano dentro de você, te ajuda.Quando sai é um alívio, mas não porque sofria logo antes, mas sim porque algo se concretiza, uma missão se completa. É como passar sim por um portal, chegar à ponta do arco-íris, e lá estava aquele famoso pote de ouro. Esse pote de ouro tem olhos, olhos singulares, e olha tudo ao redor, é escorregadio, é pequeno mas tão humano que sua intensidade pulsa, vibra e enche o espaço, é único.
Minha Manuela olhou tudo ao redor em silêncio e seu olhar...seu olhar era ela. E ela é única. Ali, naquele instante que gritamos e nos apertamos juntas deixamos para sempre de sermos duas em um corpo e nos realizamos dois seres. E ela nasceu aquilo que será até seu último suspiro. O último... O primeiro suspiro, a primeira tragada de ar e o primeiro olhar foram ainda junto ao meu peito, deitada na minha barriga, agora vazia, o avesso novamente escondido, nunca mais esquecido. Ela era única e eu nunca mais a mesma.
O vazio não me torturou, não tive melancolia e confesso uma saudade deliciosa de quando a barriga era pesada, mas senti cada segundo de seu esvaziamento, senti cada pedrinha do caminho rumo ao outro lado do arco íris, fui mulher inteira, em dobro, dobrada, rasgada e aberta mas pura e simplesmente pela força natural do meu corpo.
Hoje a única Manuela se mostra, se revela, tem olhos dourados e abertos, ontem se virou pela primeira vez, não do avesso, ainda não, mas rolou na minha perna e eu aprecio cada momento. Agora que vi meu avesso e me multipliquei digo que posso voar, porque sou feia, inteira e bela. E, não posso deixar de dizer, eterna.
Minha Manuela olhou tudo ao redor em silêncio e seu olhar...seu olhar era ela. E ela é única. Ali, naquele instante que gritamos e nos apertamos juntas deixamos para sempre de sermos duas em um corpo e nos realizamos dois seres. E ela nasceu aquilo que será até seu último suspiro. O último... O primeiro suspiro, a primeira tragada de ar e o primeiro olhar foram ainda junto ao meu peito, deitada na minha barriga, agora vazia, o avesso novamente escondido, nunca mais esquecido. Ela era única e eu nunca mais a mesma.
O vazio não me torturou, não tive melancolia e confesso uma saudade deliciosa de quando a barriga era pesada, mas senti cada segundo de seu esvaziamento, senti cada pedrinha do caminho rumo ao outro lado do arco íris, fui mulher inteira, em dobro, dobrada, rasgada e aberta mas pura e simplesmente pela força natural do meu corpo.
Hoje a única Manuela se mostra, se revela, tem olhos dourados e abertos, ontem se virou pela primeira vez, não do avesso, ainda não, mas rolou na minha perna e eu aprecio cada momento. Agora que vi meu avesso e me multipliquei digo que posso voar, porque sou feia, inteira e bela. E, não posso deixar de dizer, eterna.
18 outubro, 2010
Menina ruiva
Ainda em Londres eu e Leo fizemos uma brincadeira de descobrir a cara do seu futuro bebê, através de um site da internet. O bebê saiu ruivo e morremos de rir, chamamos o site de picareta!!! Hoje com Manuela e seu cabelo cada vez mais cobre voltamos ao blog onde publicamos as imagens do nosso futuro filho, as fotos sumiram mas vale a pena relembrar pelos comentários. A vida é muito engraçada e geramos sim uma filhinha ruiva e ainda de olhos claros!
London Log: Protótipo
London Log: Protótipo
15 outubro, 2010
Números e sorrisos
Minha pequenina nasceu de 41 semanas e um dia. E desde já me ensinou que com ela (e com a vida) pressa e ansiedade não resolvem, nem funcionam. Com uma semana de vida seu umbigo caiu, rápido demais segundo "especialistas". E agora com um mês já acorda com um sorriso largo que parece devorar o mundo, um sorriso sincero e delicioso, olha nos olhos meus e do Leo e diz em alto e bom som: anguuuuuuuu! Seguido de vários outros sons.
Engordou 800 gramas em 20 dias e cresceu cinco centímetros em um mês. Mama muito. Alguns dias é o dia do soninho outros do peito. E assim eu paro o meu mundo e meu relógio para ela se deliciar, se acalmar, se deleitar. Mama um tanto, cochila e retoma,e eu aqui olhando seus olhos profundos. Me afogando no seu sorriso enorme e constante, feliz de vê-la com um olhar seguro e tranquilo, tudo que sempre quis nessa vida...
Ah minha Manuela quero afogar me todas as manhãs na sua gargalhada doce e mágica...
Engordou 800 gramas em 20 dias e cresceu cinco centímetros em um mês. Mama muito. Alguns dias é o dia do soninho outros do peito. E assim eu paro o meu mundo e meu relógio para ela se deliciar, se acalmar, se deleitar. Mama um tanto, cochila e retoma,e eu aqui olhando seus olhos profundos. Me afogando no seu sorriso enorme e constante, feliz de vê-la com um olhar seguro e tranquilo, tudo que sempre quis nessa vida...
Ah minha Manuela quero afogar me todas as manhãs na sua gargalhada doce e mágica...
Budismo
Após longos anos de vida encontrei um religião que me cativa e que acredito, e que agora pratico.Fico feliz. Sentia essa necessidade pela minha filha e acho que chegarei a lugares mais belos encontrando comigo mesma, de forma mais profunda, através do Budismo e da meditação.
E coloco aqui esse artigo, pra dividir.
E coloco aqui esse artigo, pra dividir.
28 setembro, 2010
Descobrindo
Daqui do sofá vejo Manuela dormir no seu carrinho. Do meu angulo só vejo seus pequenos pés, um com meia e outro sem, se esticarem durante seu sonho.
Hoje pela primeira vez ela viu a chuva. A levei pra varanda e lá ela arregalou os olhos que brilhavam de encantamento. Assim, encantada, ficou por vários e vários minutos. Nos sentamos lá e em silêncio contemplamos essa descoberta.
Seus silêncios são profundos e preenchidos por um entusiasmo de uma alma que vibra, pulsa, salta aos olhos amendoados e brilhantes. Dizem que ela não enxerga direito, e talvez tenha que acreditar, mas me recuso a dizer que na sua percepção única ela não percebe intensamente todo o mundo ao seu redor. No meu colo passeia pela casa e observa cada detalhe atentamente,muitas vezes isso a faz parar de chorar, querer peito ou soluçar, e em seu quarto, ah em seu quarto ela se entrega, sente cada coisa com o corpo todo, guiado por um olhar que não pára e não perde nada, cada presente, cada detalhe e lá é o melhor lugar que quer estar.
Manuela começa a viver e já vive com todos seus sentidos.
E eu, eu vivo junto, revivo com ela, renasço.
Hoje pela primeira vez ela viu a chuva. A levei pra varanda e lá ela arregalou os olhos que brilhavam de encantamento. Assim, encantada, ficou por vários e vários minutos. Nos sentamos lá e em silêncio contemplamos essa descoberta.
Seus silêncios são profundos e preenchidos por um entusiasmo de uma alma que vibra, pulsa, salta aos olhos amendoados e brilhantes. Dizem que ela não enxerga direito, e talvez tenha que acreditar, mas me recuso a dizer que na sua percepção única ela não percebe intensamente todo o mundo ao seu redor. No meu colo passeia pela casa e observa cada detalhe atentamente,muitas vezes isso a faz parar de chorar, querer peito ou soluçar, e em seu quarto, ah em seu quarto ela se entrega, sente cada coisa com o corpo todo, guiado por um olhar que não pára e não perde nada, cada presente, cada detalhe e lá é o melhor lugar que quer estar.
Manuela começa a viver e já vive com todos seus sentidos.
E eu, eu vivo junto, revivo com ela, renasço.
11 setembro, 2010
Breve relato
Lá se iam meses sem chuva nessa cidade. Quando na madrugada do dia 8 de setembro abrimos a janela e o cheiro de mato molhado invadiu a sala. Entre uma contração e outra sorri, eu e Leo nos abraçamos.
Foram 6 horas em casa, com dores, no chuveiro, escorada na parede recebendo massagens do meu marido lindo. Sentada na bola de pilates meditava, sorria e respirava a cada cólica intensa. Depois foram mais 6 horas no hospital. Na suíte parto, com a presença fundamental de duas mulheres doces doulas, Mariana e Daphne, que massageavam, agarravam minha mão, sussurravam ao meu ouvido, e a constante presença olhar sereno e lindo de Leonardo.
Ás 15h do dia 8 de Setembro de 2010 a linda Manuela veio ao mundo, a cada grito de força que eu soltava seu pai me dizia com a voz doce e baixa: amor, ela ta começando a aparecer, amor, nossa filha, amor, apareceu, nossa filha, amor, ela tá chegando.
E isso me fazia gritar ainda mais, sentindo cada contração uterina, seu corpo descer, o meu se abrir, quando de repente ela saiu e lá estava eu deitada na cama, me joguei da posição de cócoras para o colchão sem saber como, mas lá estava ela, ensanguentada e com seu cordão ainda vibrante a pulsar. Se agarrou ao meu peito após o Leo cortar seu cordão, e por aqui está até agora, mamando sem parar.
Hoje sou a mulher mais feliz do mundo e escreverei ainda um relato mais detalhado, dessa jornada que foi o parto de Manuela, após o qual me tornei plena e babona, me tornei Mãe e eterna.
Foram 6 horas em casa, com dores, no chuveiro, escorada na parede recebendo massagens do meu marido lindo. Sentada na bola de pilates meditava, sorria e respirava a cada cólica intensa. Depois foram mais 6 horas no hospital. Na suíte parto, com a presença fundamental de duas mulheres doces doulas, Mariana e Daphne, que massageavam, agarravam minha mão, sussurravam ao meu ouvido, e a constante presença olhar sereno e lindo de Leonardo.
Ás 15h do dia 8 de Setembro de 2010 a linda Manuela veio ao mundo, a cada grito de força que eu soltava seu pai me dizia com a voz doce e baixa: amor, ela ta começando a aparecer, amor, nossa filha, amor, apareceu, nossa filha, amor, ela tá chegando.
E isso me fazia gritar ainda mais, sentindo cada contração uterina, seu corpo descer, o meu se abrir, quando de repente ela saiu e lá estava eu deitada na cama, me joguei da posição de cócoras para o colchão sem saber como, mas lá estava ela, ensanguentada e com seu cordão ainda vibrante a pulsar. Se agarrou ao meu peito após o Leo cortar seu cordão, e por aqui está até agora, mamando sem parar.
Hoje sou a mulher mais feliz do mundo e escreverei ainda um relato mais detalhado, dessa jornada que foi o parto de Manuela, após o qual me tornei plena e babona, me tornei Mãe e eterna.
31 agosto, 2010
31 de Agosto
Antes de engravidar sonhei que entrava em profundezas subterraneas, sonho muito estranho, e depois em outra parte do mesmo sonho escrevia em cartolinas enormes a data 31 de Agosto.
Fiquei super encucada com o que poderia ser, pesquisei essa data em diferentes calendários, sem encontrar nada de relevante. Então, após comentar com algumas pessoas meu estranhamento com tal sonho, deixei estar.
Alguns meses depois engravidei; e quando fechou a conta pelo último ciclo a minha data provável deu exatamente o dia 31 de Agosto. O dia em que fecharia a 40 semana da gestação, o nono mês. O ultra veio confirmar tal data, uma vez que deu uma diferença de apenas dois dias, e isso, para os médicos, não é considerada diferença relevante.
De lá pra cá experenciei a intensidade de se estar grávida. Pesquisei e li muito, vi vários vídeos.Optei decididamente pelo parto natural, ou seja, o parto em que meu corpo faz todo o trabalho, com o mínimo de recursos médicos. Conheci uma doula, uma mulher que me acompanhará durante todo o trabalho, conhecedora de posições e respirações para acalmar as dores. E ela se tornou muito mais que uma acompanhante de parto, muitas vezes uma confidente. Tive chá de bençãos para o parto com direito a escalda pés, massagem e orações. Rodeada de amigas queridas, da minha mãe e da minha sogra.
Ontem, 30 de Agosto, eu e meu marido nos enlaçamos em abraços, nos sentimos, dançamos pele a pele, nos beijamos por minutos seguidos, um beijo quente, como há algum tempo não parávamos pra fazer. Foi lindo e profundo. Foi uma noite linda.
Hoje acordei e nada.Estamos na metade do dia, e a ansiedade começa a bater em meu peito. Saí andando, subindo a contorno,vim pra casa da minha mãe. No caminho segurava minha barriga, abraçando-a, agarrando minha filha, dizendo-lhe que o tempo é um mistério, amando-a.
Sim, agora sou efetivamente a mulher que espera no meu conto. Esperando.Sentando-me frente à chuva e o vento, ao sol que nasce e se põe, tentando curvar-me frente a isso e aceitando a navegação do universo, que não controlo, apenas estimulo pelo desejo.
Será que será hoje?
Fiquei super encucada com o que poderia ser, pesquisei essa data em diferentes calendários, sem encontrar nada de relevante. Então, após comentar com algumas pessoas meu estranhamento com tal sonho, deixei estar.
Alguns meses depois engravidei; e quando fechou a conta pelo último ciclo a minha data provável deu exatamente o dia 31 de Agosto. O dia em que fecharia a 40 semana da gestação, o nono mês. O ultra veio confirmar tal data, uma vez que deu uma diferença de apenas dois dias, e isso, para os médicos, não é considerada diferença relevante.
De lá pra cá experenciei a intensidade de se estar grávida. Pesquisei e li muito, vi vários vídeos.Optei decididamente pelo parto natural, ou seja, o parto em que meu corpo faz todo o trabalho, com o mínimo de recursos médicos. Conheci uma doula, uma mulher que me acompanhará durante todo o trabalho, conhecedora de posições e respirações para acalmar as dores. E ela se tornou muito mais que uma acompanhante de parto, muitas vezes uma confidente. Tive chá de bençãos para o parto com direito a escalda pés, massagem e orações. Rodeada de amigas queridas, da minha mãe e da minha sogra.
Ontem, 30 de Agosto, eu e meu marido nos enlaçamos em abraços, nos sentimos, dançamos pele a pele, nos beijamos por minutos seguidos, um beijo quente, como há algum tempo não parávamos pra fazer. Foi lindo e profundo. Foi uma noite linda.
Hoje acordei e nada.Estamos na metade do dia, e a ansiedade começa a bater em meu peito. Saí andando, subindo a contorno,vim pra casa da minha mãe. No caminho segurava minha barriga, abraçando-a, agarrando minha filha, dizendo-lhe que o tempo é um mistério, amando-a.
Sim, agora sou efetivamente a mulher que espera no meu conto. Esperando.Sentando-me frente à chuva e o vento, ao sol que nasce e se põe, tentando curvar-me frente a isso e aceitando a navegação do universo, que não controlo, apenas estimulo pelo desejo.
Será que será hoje?
23 julho, 2010
Gestação
Ser mãe é algo que sempre fez parte de mim, digo, o desejo de ser mãe, o instinto de ser mãe, o imaginar ser mãe. Fui dessas crianças que adorava bonecas, que as adotava como filha para levar pra passear, dar comida, trocar de roupa, arrumar o cabelo. Brinquei de boneca até onde deu, quando a adolescência chegou me devorando com dúvidas e novas curiosidades.
Chegando agora a 35° semana de gravidez, aos 29 anos, me pego nostalgica já retomando esse processo intenso que se findará em algumas semanas com a chegada da minha tão amada e esperada filha Manuela. E é curioso ver como a vida é realmente sempre diferente do que nossa mente cria. A gravidez não é (ou pelo menos pra mim não é) um processo mágico de contos de fadas. Ela traz muita, muita coisa para nós e nesses meses todos de gestação ficamos de certa forma à deriva, sujeitos a novas surpresas a qualquer momento.
Engravidei do amor da minha vida, que também sempre quis ser pai, não foi uma gravidez planejada, mas sempre muito desejada, temos todo o apoio da família e dos amigos,etc. Então pude me deleitar com pequenos prazeres de se estar grávida, e confesso que agora, pra mim, é a melhor fase, tanto que me surpreendo pensando, nossa ela vai nascer e vai ser maravilhoso, mas como vou viver sem esses chutes gostosos dentro de mim???
Foi um longo caminho até aqui. De enjoos que me deixavam sem fala e ação, de uma mudança abrupta e gradual no meu corpo, de expectativas, sonhos e noites não dormidas (desde já), de mudança de cidade, de montar casa nova, repensar todos os planos, vê-la pela primeira vez em um ultrasom e desfazer-me em lágrimas, tardes inteiras de solidão, leituras, muitas leituras, budismo, massagem, meditação e agora plano de parto natural, humanizado.
Desde a descoberta da gravidez até aqui foi uma vida, a vida dela que se formou aqui dentro e a minha que se refez, e, falo pelo Leo, a dele também. Perdemos muitos queridos, minha vó morreu quando eu engravidei, a do Leo logo depois, a minha tia se foi, muitos amigos se casaram, Leo tomou decisões profissionais importantes, eu adiei as minhas para ser exclusivamente mãe, e assim em meio a um tornado de hormônios, mudanças e esperanças nos aproximamos cada vez mais do grande dia. O dia em que renasceremos.
Todo esse caminho foi composto de pequenas e grandes mortes, para que, em breve, renasçamos. Eu, Leo e Manuela.
E mais do que isso, Rosâni, Edmar, Izabel, Haroldo e tantos outros. Iremos todos renascer. Nos veremos mais uma vez por Manuela, e nos revisitaremos em nossa história. Por 35 semans esse coraçãozinho tem pulsado intensamente dentro de mim, ritmando minha rotina, meu amor e minha vida e em breve serão seus olhos que nos reapresentarão o mundo.
Não se trata mais de fazer trancinhas em uma boneca e levá-la à praça, nem de fantasiar enjoos e expectativas como sonhos (tão cheios de frufrus e delícias). Trata-se de sentir intensamente o doce e amargo de tudo isso e saber que essa mistura gestacional é fundamental para que se recrie tudo dentro de mim. Agora eu sei, estou pronta. Estou pronta pra entrar naquela maternidade e sentir cada contração e ajudar esse ser humano a sair de mim para ver seus olhos, sentir seu cheiro e caminhar com ela.
Manuela meu amor, sua mãe já te ama loucamente e está pronta para renascer com seu nascimento. Que venha com muita saúde.E do jeito que você quer. Vamos descer então para este lugar onde tudo recomeça.
Chegando agora a 35° semana de gravidez, aos 29 anos, me pego nostalgica já retomando esse processo intenso que se findará em algumas semanas com a chegada da minha tão amada e esperada filha Manuela. E é curioso ver como a vida é realmente sempre diferente do que nossa mente cria. A gravidez não é (ou pelo menos pra mim não é) um processo mágico de contos de fadas. Ela traz muita, muita coisa para nós e nesses meses todos de gestação ficamos de certa forma à deriva, sujeitos a novas surpresas a qualquer momento.
Engravidei do amor da minha vida, que também sempre quis ser pai, não foi uma gravidez planejada, mas sempre muito desejada, temos todo o apoio da família e dos amigos,etc. Então pude me deleitar com pequenos prazeres de se estar grávida, e confesso que agora, pra mim, é a melhor fase, tanto que me surpreendo pensando, nossa ela vai nascer e vai ser maravilhoso, mas como vou viver sem esses chutes gostosos dentro de mim???
Foi um longo caminho até aqui. De enjoos que me deixavam sem fala e ação, de uma mudança abrupta e gradual no meu corpo, de expectativas, sonhos e noites não dormidas (desde já), de mudança de cidade, de montar casa nova, repensar todos os planos, vê-la pela primeira vez em um ultrasom e desfazer-me em lágrimas, tardes inteiras de solidão, leituras, muitas leituras, budismo, massagem, meditação e agora plano de parto natural, humanizado.
Desde a descoberta da gravidez até aqui foi uma vida, a vida dela que se formou aqui dentro e a minha que se refez, e, falo pelo Leo, a dele também. Perdemos muitos queridos, minha vó morreu quando eu engravidei, a do Leo logo depois, a minha tia se foi, muitos amigos se casaram, Leo tomou decisões profissionais importantes, eu adiei as minhas para ser exclusivamente mãe, e assim em meio a um tornado de hormônios, mudanças e esperanças nos aproximamos cada vez mais do grande dia. O dia em que renasceremos.
Todo esse caminho foi composto de pequenas e grandes mortes, para que, em breve, renasçamos. Eu, Leo e Manuela.
E mais do que isso, Rosâni, Edmar, Izabel, Haroldo e tantos outros. Iremos todos renascer. Nos veremos mais uma vez por Manuela, e nos revisitaremos em nossa história. Por 35 semans esse coraçãozinho tem pulsado intensamente dentro de mim, ritmando minha rotina, meu amor e minha vida e em breve serão seus olhos que nos reapresentarão o mundo.
Não se trata mais de fazer trancinhas em uma boneca e levá-la à praça, nem de fantasiar enjoos e expectativas como sonhos (tão cheios de frufrus e delícias). Trata-se de sentir intensamente o doce e amargo de tudo isso e saber que essa mistura gestacional é fundamental para que se recrie tudo dentro de mim. Agora eu sei, estou pronta. Estou pronta pra entrar naquela maternidade e sentir cada contração e ajudar esse ser humano a sair de mim para ver seus olhos, sentir seu cheiro e caminhar com ela.
Manuela meu amor, sua mãe já te ama loucamente e está pronta para renascer com seu nascimento. Que venha com muita saúde.E do jeito que você quer. Vamos descer então para este lugar onde tudo recomeça.
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